terça-feira, 28 de julho de 2026
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Ministério da Saúde encaminha pedido para incluir PrEP injetável no SUS até o fim de 2026

Ministério da Saúde encaminha pedido para incluir PrEP injetável no SUS até o fim de 2026

Carbotegravir, aplicado a cada dois meses para prevenção do HIV, será analisado pela Conitec antes de decisão final do Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde deve encaminhar na próxima semana à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) o pedido para incluir o carbotegravir na rede pública. O medicamento é uma forma injetável da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e pode passar a ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda em 2026, caso a proposta seja aprovada.

O carbotegravir impede a replicação do vírus de forma prolongada e é administrado por meio de injeção a cada dois meses. Atualmente, o SUS disponibiliza a PrEP apenas na versão oral, composta por comprimidos de uso diário.

Antes da incorporação ao sistema público, a Conitec avaliará aspectos como custo-benefício da tecnologia. O colegiado poderá recomendar ou não a inclusão do medicamento. A decisão final ficará a cargo do Ministério da Saúde.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo negocia com a farmacêutica GSK, fabricante do carbotegravir, o valor final do medicamento e o volume de doses que poderão ser adquiridas. De acordo com o ministro, a empresa apresentou uma proposta considerada adequada para as negociações.

Durante entrevista concedida antes da abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro, Padilha afirmou que o governo acompanha o desenvolvimento de tecnologias de proteção prolongada contra o HIV, mas defende que esses medicamentos sejam disponibilizados aos sistemas públicos de saúde com valores compatíveis.

O ministro também explicou que o custo influenciou a escolha do carbotegravir. Segundo ele, outro medicamento, o lenacapavir, oferece proteção por seis meses, porém foi apresentado ao governo por um valor considerado inviável para aquisição pelo SUS.

Padilha afirmou que o Brasil chegou a negociar valores superiores aos praticados em países como Indonésia e Tailândia, mas não houve acordo com a fabricante. Por esse motivo, o governo decidiu não prosseguir com a compra do medicamento.

Embora o Brasil tenha participado dos estudos clínicos do lenacapavir, o país ficou fora do acordo de licenciamento voluntário firmado pela farmacêutica Gilead. O acordo autoriza seis empresas a produzirem versões genéricas do medicamento para distribuição em 120 países.

A decisão recebeu críticas durante a 26ª Conferência Internacional de Aids. Entre os participantes que se manifestaram está o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), que defende a ampliação do acesso ao lenacapavir em diferentes países.

Em nota, a Gilead informou que busca alternativas para ampliar o acesso ao medicamento na América Latina e no Caribe. A empresa afirmou que o Brasil está entre os países considerados parceiros potenciais para fabricação do produto e informou que assinou um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para avaliar oportunidades de transferência de tecnologia.

Atualmente, mais de 350 mil pessoas já tiveram acesso à PrEP oral pelo SUS. A principal diferença entre as duas formas de prevenção está na frequência de uso. Enquanto os comprimidos precisam ser tomados diariamente, o carbotegravir é aplicado a cada dois meses.

Um estudo realizado pela Fiocruz com 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras apontou que 83% dos voluntários preferiram a versão injetável. O levantamento também registrou que 94% compareceram ao serviço de saúde para receber as aplicações dentro do prazo previsto, e nenhum dos participantes foi infectado pelo HIV durante o acompanhamento.

Outro estudo, divulgado pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK, indicou taxa anual de infecção pelo HIV de 0,1% entre usuários do carbotegravir.

Fonte: Agência Brasil/ Foto: Fernando Frazão