quinta-feira, 30 de julho de 2026
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Estudo com participação da UFV propõe proteção legal em áreas ao redor de terras indígenas na Amazônia

Estudo com participação da UFV propõe proteção legal em áreas ao redor de terras indígenas na Amazônia

Pesquisa publicada em revista científica aponta avanço de ameaças no entorno do Vale do Javari e sugere criação de zonas de amortecimento

Um estudo publicado na revista Nature Sustainability reúne pesquisadores brasileiros e internacionais e o líder indígena Beto Marubo para alertar sobre o avanço de ameaças socioambientais às Terras Indígenas da Amazônia. O trabalho destaca o Vale do Javari, no oeste do Amazonas, região com a maior concentração conhecida de povos indígenas em isolamento voluntário no mundo.

O território abriga cinco povos com contato com a sociedade — Marubo, Mayoruna, Matis, Kanamari e Kulina —, dois povos de contato recente — Korubo e Tsohóm-Djapá — e ao menos 14 grupos em isolamento voluntário. A área foi demarcada em 2001 e ganhou projeção internacional em 2022 após os assassinatos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.

Entre os coautores estão a professora Hewlley Acioli Imbuzeiro, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), e a doutoranda Erin Koster, da University of South Alabama, atualmente vinculada ao Grupo de Pesquisa em Micrometeorologia da UFV. Segundo as pesquisadoras, o estudo identifica que o enfraquecimento da fiscalização e mudanças nas leis de proteção, somados a invasões ligadas à mineração, ao tráfico de animais e à exploração ilegal de madeira e pesca, afetam a integridade dos povos indígenas.

O levantamento aponta que, apesar da estabilidade da cobertura florestal dentro da terra indígena, o desmatamento avançou no entorno. Em 2022, a perda florestal em uma faixa de até 200 quilômetros ao redor do território foi cerca de 187,5 vezes maior do que dentro da área demarcada. Dados do MapBiomas indicam que a taxa média anual de desmatamento foi 33,4 vezes maior nessa zona externa.

Embora tenha ocorrido redução em 2023 e 2024, os níveis permaneceram acima dos registrados na década anterior. Diante desse cenário, os autores defendem a criação de proteção legal para zonas de amortecimento no entorno das terras indígenas, com o objetivo de limitar atividades humanas e conter ações ilegais.

O estudo também recomenda o fortalecimento da fiscalização e o combate à ocupação irregular de terras públicas próximas às áreas indígenas. No Vale do Javari, a prioridade indicada é conter novas ocupações e práticas como caça comercial e pesca predatória.

Segundo os autores, essa proteção é relevante para povos em isolamento voluntário, que enfrentam dificuldades para comunicar invasões. O artigo também destaca a importância de cooperação entre Brasil, Colômbia e Peru, devido à localização da região em área de fronteira.

A pesquisa evidencia ainda a atuação da UFV em parcerias internacionais. De acordo com a professora Hewlley, a participação de pesquisadores estrangeiros está associada a iniciativas de internacionalização da universidade e à atuação de grupos de pesquisa em diferentes regiões do país.

A professora Hewlley ( à esquerda) e a estudante Erin Koster são coautoras do artigo científico

Informações: UFV

Foto: Gabriel de Oliveira & Erin Koster / Acervo Pesquisadores