Pesquisa cria sistema para proteger a creatina do contato com a água e manter a estabilidade do suplemento durante o armazenamento
Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA) da Universidade Federal de Viçosa (UFV) desenvolveram uma tecnologia para incorporar creatina diretamente a alimentos e bebidas. A pesquisa criou um sistema para proteger o suplemento do contato prolongado com a água e manter sua estabilidade durante a vida útil dos produtos.
A creatina é tradicionalmente consumida após a diluição do pó em água. Nos últimos anos, porém, aumentou a demanda pela incorporação do suplemento em produtos industrializados, como pães e iogurtes. Segundo a UFV, essa aplicação apresenta um desafio relacionado à estabilidade da substância.
O pesquisador Erivan Batista Júnior explica que a creatina pode se degradar quando permanece em contato com a água, principalmente em meios ácidos. Nesse processo, ela se transforma em creatinina, substância inativa que é eliminada pela urina.
A creatina monohidratada apresenta maior estabilidade em produtos secos. Já em contato com a água, essa estabilidade diminui ao longo do tempo. De acordo com a pesquisa, o processo não oferece riscos à saúde humana, mas pode reduzir a quantidade de creatina disponível no produto.
O período entre a fabricação, o transporte, o armazenamento e o consumo também pode interferir na quantidade efetiva da substância em relação ao valor informado no rótulo. Por isso, o trabalho buscou desenvolver uma forma de proteger a creatina durante esse período.
A equipe realizou os estudos no Laboratório de Higiene e Microbiologia de Alimentos da UFV. A solução desenvolvida utiliza uma fase oleosa estruturada e uma emulsão para criar uma barreira entre a creatina e o meio aquoso.
Segundo o professor Evandro Martins, orientador do trabalho e integrante do PPGCTA, o sistema permite incorporar concentrações elevadas de creatina na fase oleosa e, posteriormente, promover sua dispersão.
A tecnologia busca equilibrar a estabilidade química da creatina com a capacidade de dispersão. Com isso, o sistema pode permitir a adição das doses desejadas do suplemento em formulações de alimentos e bebidas produzidos em escala industrial.
O desenvolvimento também resultou no depósito de um pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O processo contou com o apoio do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UFV.
De acordo com a universidade, a tecnologia também pode servir de base para o desenvolvimento de estratégias de proteção de outros compostos bioativos utilizados pela indústria de alimentos.
Informações: UFV

