quinta-feira, 9 de julho de 2026
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Relatório aponta 213 barragens em situação crítica no Brasil

Relatório aponta 213 barragens em situação crítica no Brasil

Documento da ANA identifica estruturas com risco de acidentes em 19 estados e no Distrito Federal e registra 18 acidentes com barragens em 2025, sem mortes.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) divulgou o Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), que identifica 213 barragens em situação considerada prioritária para gestão de segurança no Brasil. As estruturas apresentam problemas de conservação ou não atendem integralmente às exigências previstas na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).

O levantamento monitora mais de 14 mil barragens destinadas à mineração, agricultura, abastecimento de água, controle de vazão, geração de energia e outras finalidades. Segundo a ANA, as 213 estruturas estão distribuídas em 19 estados e no Distrito Federal, com maior concentração nos estados do Ceará, Mato Grosso e São Paulo.

Entre os setores, a mineração reúne o maior número de barragens prioritárias, com 55 estruturas, o equivalente a 26% do total. Em seguida aparecem as barragens destinadas ao abastecimento de água, com 51 estruturas (24%), irrigação, com 29 (14%), regularização de vazão, com 20 (9%), paisagismo, com 17 (8%), dessedentação de animais, com 16 (8%), além de outros usos, que somam 25 barragens (12%).

O relatório também informa que, em 2025, ocorreram 18 acidentes e 23 incidentes envolvendo barragens no país. Não houve registro de mortes, mas foram registradas evacuações de áreas urbanizadas e danos em estradas e pontes. Nos acidentes houve colapso das estruturas, enquanto os incidentes envolveram ocorrências com risco de rompimento.

Outro ponto apresentado pela ANA é o avanço parcial na implementação da Política Nacional de Segurança de Barragens. O Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB) registrou aumento no número de estruturas cadastradas, passando de 28.085 em 2024 para 29.761 em 2025. Entretanto, 14.355 barragens, o equivalente a 48% do total cadastrado, permanecem com situação indefinida por falta de informações necessárias para o enquadramento na política nacional.

De acordo com a ANA, integram a PNSB as barragens que possuem capacidade superior a 3 milhões de metros cúbicos, reservatórios com resíduos perigosos, dano potencial associado médio ou alto ou altura superior a 15 metros.

Entre as barragens classificadas, 8.797, correspondentes a 30% do total no país, estão em condições adequadas. Outras 6.609 estruturas, equivalentes a 22%, possuem dano potencial associado médio ou alto ou foram enquadradas com categoria de risco elevada.

O relatório também aponta que ainda faltam informações sobre 345 barragens e destaca a necessidade de fortalecer os mecanismos de fiscalização e atualização dos dados.

Na área de fiscalização, a ANA informa que houve redução no número de profissionais dedicados à segurança de barragens pela primeira vez desde o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019. Atualmente, 333 profissionais atuam na fiscalização em 33 órgãos, sendo 161 exclusivamente dedicados à atividade e 172 com atuação compartilhada em outras funções. Em relação a 2025, são 23 profissionais a menos.

Segundo o relatório, o déficit estimado para atender às equipes mínimas recomendadas é de pelo menos 221 profissionais exclusivos em 28 dos 33 órgãos fiscalizadores.

Mesmo com a redução de pessoal, o número de fiscalizações aumentou entre 2024 e 2025. As inspeções de campo passaram de 2.859 para 2.924, enquanto as fiscalizações documentais cresceram de 3.162 para 4.712 no mesmo período.

O Relatório de Segurança de Barragens é elaborado anualmente pela ANA com base nas informações enviadas pelos 33 órgãos responsáveis pela fiscalização no país. O documento é encaminhado ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos e ao Congresso Nacional.

Fonte: Agência Brasil