Especialistas apontam possíveis benefícios da prática, indicam situações de contraindicação e explicam os cuidados necessários com os cavalos utilizados nas sessões
A equoterapia tem sido utilizada como recurso terapêutico e educacional no atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A prática utiliza o cavalo durante atividades voltadas ao desenvolvimento motor, cognitivo, sensorial e comportamental. O Dia Nacional da Equoterapia é celebrado em 9 de agosto.
Segundo dados da Associação Nacional de Equoterapia (Ande Brasil), publicados pela Revista Horse, o país possui cerca de 450 centros de atendimento, entre entidades filiadas e agregadas. As instituições atendem aproximadamente 25 mil pessoas com diferentes necessidades específicas, incluindo pessoas com paralisia cerebral, síndrome de Down, esclerose múltipla e autismo.
O médico e professor da pós-graduação em Neurologia da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr. Drusus Pérez Marques, explica que a interação com o cavalo e com o instrutor pode contribuir para a socialização. Segundo ele, as atividades também podem trabalhar contato visual, equilíbrio e interação motora, sensitiva e social.
A comunicação não verbal também pode ser estimulada durante as sessões. O especialista afirma que os movimentos e a postura do cavalo oferecem diferentes estímulos e exigem atenção do praticante durante as atividades.
A indicação da equoterapia depende das condições de cada pessoa. O médico cita como situações de contraindicação casos de epilepsia, transtornos motores com risco de queda, deformidades ortopédicas graves e medo intenso de cavalo ou de altura quando essas condições provocam desregulação e impedem a realização das atividades.
Segundo Drusus Pérez Marques, pessoas com alterações na interação social, dificuldades motoras, problemas de equilíbrio e dificuldades de autorregulação podem apresentar benefícios com a prática. Ele também cita casos de baixa autoestima e alterações sensoriais entre as situações nas quais a equoterapia pode auxiliar.
Legislação e cuidados com os animais
Em julho, a Lei 26.012 foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais. A norma passou a prever a reabilitação de pessoas com deficiência por meio da equoterapia e de outras práticas terapêuticas com participação de animais.
A legislação altera a Lei 8.193, de 1982, e estabelece diretrizes estaduais de apoio à pessoa com deficiência. O texto também determina que o bem-estar físico, nutricional, ambiental, comportamental e emocional do animal seja assegurado.
A médica veterinária e professora da Afya São João del Rei, Dra. Sylvia Rocha Silveira Pires, explica que o cavalo é parte central do processo terapêutico. Segundo ela, o movimento produzido pelo animal durante a montaria é semelhante ao movimento da bacia humana durante a caminhada.
Esse movimento pode estimular equilíbrio, postura e consciência corporal. O contato com o animal também proporciona estímulos relacionados ao calor, cheiro, sons e balanço, que podem contribuir para a integração sensorial.
A escolha do cavalo utilizado nas sessões segue critérios relacionados às características físicas e comportamentais. O animal precisa apresentar porte e conformação adequados, além de um andar regular, rítmico e equilibrado nas três marchas.
Também deve estar em condições de saúde que não comprometam sua locomoção. De acordo com Sylvia Pires, o cavalo precisa apresentar comportamento previsível e passar por treinamento específico para a equoterapia.
As avaliações devem continuar durante o uso do animal nas atividades. Um cavalo agitado ou estressado pode comprometer a segurança do praticante e do próprio animal.
Informações e fotos: Matheus Garcia

