sexta-feira, 26 de junho de 2026
Urgente

Audiência pública debate acesso a diagnóstico e tratamento da fibromialgia em Viçosa

Audiência pública debate acesso a diagnóstico e tratamento da fibromialgia em Viçosa

Pacientes, profissionais e autoridades relatam dificuldades e apresentam propostas para atendimento no município

Uma audiência pública realizada na quarta-feira, 24, na Câmara Municipal de Viçosa discutiu as demandas de mulheres diagnosticadas com fibromialgia. A iniciativa partiu da vereadora Jamille Gomes, por meio do Requerimento nº 21/2026, com o objetivo de ouvir pacientes e levantar informações sobre dificuldades no acesso a diagnóstico, tratamento e serviços de saúde.

Participaram da mesa profissionais da saúde, representantes da sociedade civil e autoridades. Também estiveram presentes os vereadores Marly Coelho e Rogério Fontes. A proposta incluiu caráter informativo e buscou reunir dados sobre a realidade local.

A médica reumatologista Cristiane Junqueira de Carvalho explicou que a fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica, com sintomas como dor generalizada, fadiga e distúrbios do sono. Segundo ela, a doença atinge entre 2,5% e 5,5% da população brasileira, principalmente mulheres entre 20 e 55 anos. O diagnóstico é clínico, feito por meio de entrevista e exame físico, e o tratamento envolve medicamentos, atividade física, dieta e acompanhamento psicológico.

A profissional de Educação Física Juliana Valente abordou os efeitos da síndrome e destacou a importância do exercício físico. Ela citou modalidades como treinamento aeróbico, fortalecimento muscular, práticas como yoga e exercícios aquáticos.

Durante a audiência, pacientes relataram dificuldades. Carmen Coelho afirmou que passou por 15 médicos antes de obter diagnóstico fora do município. Também citou a Lei Municipal nº 2795/2019, que garante benefícios como atendimento prioritário e vale-transporte, mas apontou falhas na divulgação desses direitos. Outros depoimentos mencionaram demora em consultas, uso de medicamentos de alto custo e dificuldades no encaminhamento médico.

Representantes do poder público apresentaram orientações. O assessor jurídico Mauro Henrique informou sobre acesso à assistência judiciária gratuita para garantia de direitos. A assistente social Carla Helena explicou o processo para emissão da carteirinha de fibromialgia. Já a coordenadora Mara Iamin propôs incluir o tema no Plano Municipal de Políticas Públicas para Mulheres.

O secretário municipal de Saúde, Marcos Alexandre de Freitas Vieira, informou a intenção de criar uma linha de cuidado específica, com ambulatório e equipe multiprofissional, além da contratação de médico reumatologista. Ele também solicitou dados de pacientes com problemas de encaminhamento para análise.

Ao final, o público apresentou questionamentos e relatos, incluindo dificuldades no atendimento e pedidos por acompanhamento psicológico e fiscalização no uso indevido de benefícios.