sexta-feira, 14 de agosto de 2026
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Equoterapia cresce no Brasil como recurso terapêutico para pessoas com autismo

Equoterapia cresce no Brasil como recurso terapêutico para pessoas com autismo

Especialistas apontam possíveis benefícios da prática, indicam situações de contraindicação e explicam os cuidados necessários com os cavalos utilizados nas sessões

A equoterapia tem sido utilizada como recurso terapêutico e educacional no atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A prática utiliza o cavalo durante atividades voltadas ao desenvolvimento motor, cognitivo, sensorial e comportamental. O Dia Nacional da Equoterapia é celebrado em 9 de agosto.

Segundo dados da Associação Nacional de Equoterapia (Ande Brasil), publicados pela Revista Horse, o país possui cerca de 450 centros de atendimento, entre entidades filiadas e agregadas. As instituições atendem aproximadamente 25 mil pessoas com diferentes necessidades específicas, incluindo pessoas com paralisia cerebral, síndrome de Down, esclerose múltipla e autismo.

O médico e professor da pós-graduação em Neurologia da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr. Drusus Pérez Marques, explica que a interação com o cavalo e com o instrutor pode contribuir para a socialização. Segundo ele, as atividades também podem trabalhar contato visual, equilíbrio e interação motora, sensitiva e social.

A comunicação não verbal também pode ser estimulada durante as sessões. O especialista afirma que os movimentos e a postura do cavalo oferecem diferentes estímulos e exigem atenção do praticante durante as atividades.

A indicação da equoterapia depende das condições de cada pessoa. O médico cita como situações de contraindicação casos de epilepsia, transtornos motores com risco de queda, deformidades ortopédicas graves e medo intenso de cavalo ou de altura quando essas condições provocam desregulação e impedem a realização das atividades.

Segundo Drusus Pérez Marques, pessoas com alterações na interação social, dificuldades motoras, problemas de equilíbrio e dificuldades de autorregulação podem apresentar benefícios com a prática. Ele também cita casos de baixa autoestima e alterações sensoriais entre as situações nas quais a equoterapia pode auxiliar.

Legislação e cuidados com os animais

Em julho, a Lei 26.012 foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais. A norma passou a prever a reabilitação de pessoas com deficiência por meio da equoterapia e de outras práticas terapêuticas com participação de animais.

A legislação altera a Lei 8.193, de 1982, e estabelece diretrizes estaduais de apoio à pessoa com deficiência. O texto também determina que o bem-estar físico, nutricional, ambiental, comportamental e emocional do animal seja assegurado.

A médica veterinária e professora da Afya São João del Rei, Dra. Sylvia Rocha Silveira Pires, explica que o cavalo é parte central do processo terapêutico. Segundo ela, o movimento produzido pelo animal durante a montaria é semelhante ao movimento da bacia humana durante a caminhada.

Esse movimento pode estimular equilíbrio, postura e consciência corporal. O contato com o animal também proporciona estímulos relacionados ao calor, cheiro, sons e balanço, que podem contribuir para a integração sensorial.

A escolha do cavalo utilizado nas sessões segue critérios relacionados às características físicas e comportamentais. O animal precisa apresentar porte e conformação adequados, além de um andar regular, rítmico e equilibrado nas três marchas.

Também deve estar em condições de saúde que não comprometam sua locomoção. De acordo com Sylvia Pires, o cavalo precisa apresentar comportamento previsível e passar por treinamento específico para a equoterapia.

As avaliações devem continuar durante o uso do animal nas atividades. Um cavalo agitado ou estressado pode comprometer a segurança do praticante e do próprio animal.

Informações e fotos: Matheus Garcia