quinta-feira, 3 de setembro de 2026
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MPMG denuncia nove pessoas por organização criminosa investigada na Operação Quione

MPMG denuncia nove pessoas por organização criminosa investigada na Operação Quione

Acusação aponta atuação de grupo ligado ao Comando Vermelho em Leopoldina e outros municípios da Zona da Mata, além do estado do Rio de Janeiro

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia contra nove pessoas apontadas como integrantes dos núcleos de comando, liderança e apoio de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho. A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Regional de Visconde do Rio Branco e pela 1ª Promotoria de Justiça de Leopoldina.

Os denunciados são investigados na Operação Quione, deflagrada em 9 de julho deste ano pelo MPMG e pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). A ação teve como objetivo investigar uma organização criminosa com atuação na Zona da Mata mineira e no estado do Rio de Janeiro.

Segundo o MPMG, as investigações identificaram uma estrutura permanente e hierarquizada, com divisão de funções e logística para distribuição de drogas. O grupo teria recebido entorpecentes do Rio de Janeiro e atuado na manutenção e expansão do domínio territorial em bairros de Leopoldina e municípios da região.

A denúncia também aponta o uso de violência e intimidação para estabelecer regras de convivência, aplicar punições internas e monitorar a atuação das forças de segurança. Entre as práticas investigadas estão os chamados “disciplinas” e “tribunais do crime”, além da circulação de armas de uso restrito.

As apurações identificaram ainda indícios de recrutamento de adolescentes para atividades criminosas. Segundo os investigadores, o grupo também teria financiado eventos locais e discutido a cobrança de valores de moradores para distribuição posterior de benefícios, com o objetivo de ampliar sua influência nas comunidades.

Outro ponto citado pelo MPMG envolve a logística de distribuição de drogas. A investigação encontrou embalagens, etiquetas e referências semelhantes em diferentes apreensões, indicando, segundo o órgão, uma cadeia de fornecimento entre o Rio de Janeiro, Leopoldina e outras cidades da região.

Durante a Operação Quione, foram cumpridos 70 mandados judiciais. Ao todo, foram 27 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Leopoldina, Recreio, Juiz de Fora e no Rio de Janeiro.

As investigações também resultaram na apreensão de mais de cinco mil porções de drogas, quatro fuzis e diversos carregadores de armas de fogo. O MPMG informou ainda que foram documentados episódios de violência atribuídos à organização, incluindo torturas, espancamentos, ameaças e ataques contra desafetos.

A operação contou com integrantes do MPMG, policiais militares e apoio do Gaeco e do Centro de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Denúncia usa nova Lei Antifacção

A acusação está entre as primeiras do país fundamentadas na Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção. A legislação criou tipos penais específicos relacionados ao domínio territorial e ao controle social exercidos por organizações criminosas mediante violência ou grave ameaça.

Os nove denunciados foram enquadrados, entre outros dispositivos, nos artigos 2º e 3º da nova legislação. Os artigos tratam dos crimes de domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado.

Conforme a denúncia, os investigados teriam contribuído para a manutenção de uma estrutura destinada ao controle territorial e social por meio da violência e da grave ameaça, além de dificultar a atuação das forças de segurança.

A Lei nº 15.358/2026 prevê pena de 20 a 40 anos de reclusão para o crime de domínio social estruturado. A legislação também estabelece hipóteses de aumento de pena, como liderança, uso de armas de uso restrito, participação de crianças ou adolescentes e utilização de recursos tecnológicos para monitoramento territorial ou das forças de segurança.

A denúncia foi encaminhada ao Poder Judiciário. Caberá à Justiça analisar o recebimento da acusação e o prosseguimento da ação penal.

Informações: MPMG