quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Urgente

Operação Cavalo de Troia cumpre seis mandados em Laranjal e Muriaé

Operação Cavalo de Troia cumpre seis mandados em Laranjal e Muriaé

Terceira fase da investigação apura possíveis fraudes em licitações, superfaturamento e transferências financeiras envolvendo empresas e servidores públicos de Laranjal

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou, nesta quarta-feira, 9 de setembro, a terceira fase da Operação Cavalo de Troia, nos municípios de Laranjal e Muriaé, na Zona da Mata. A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão, sendo quatro em Laranjal e dois em Muriaé. A Polícia Militar de Minas Gerais apoiou a operação.

Segundo o MPMG, os mandados têm como objetivo recolher elementos para as investigações sobre possíveis fraudes em licitações e irregularidades contra a Administração Pública municipal.

As investigações começaram após a Promotoria de Justiça de Muriaé identificar que duas empresas com sede em Além Paraíba passaram a vencer, de forma sistemática, processos licitatórios em Laranjal a partir de 2024.

Uma das empresas venceu dois chamamentos públicos para administrar a casa de repouso para idosos e o Hospital Municipal de Laranjal. Conforme o MPMG, os atestados de capacidade técnica apresentados pela empresa continham informações falsas.

Ainda de acordo com a investigação, a empresa alterou a atividade econômica registrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, por meio do CNAE, dias antes da abertura de cada processo seletivo. Para o MPMG, a alteração indica possível conhecimento prévio das licitações.

A segunda empresa investigada, também sediada em Além Paraíba, teria criado uma sede fictícia em Laranjal para participar de licitações que exigiam que as empresas contratadas estivessem próximas ao município.

A empresa participou de processos envolvendo diferentes produtos e serviços, como material de escritório, caixas d’água, gêneros alimentícios e drone pulverizador. Os atestados de capacidade técnica apresentados nesses processos foram fornecidos pela primeira empresa investigada.

Os representantes legais das duas empresas mantêm relacionamento afetivo. Para o MPMG, essa relação integra os elementos que apontam para uma possível organização voltada à fraude de licitações.

A investigação também identificou indícios de superfaturamento e emissão de notas fiscais falsas. Segundo o Ministério Público, parte dos produtos pagos pela Prefeitura de Laranjal pode não ter sido entregue.

Servidores públicos estão entre os investigados

O MPMG também analisou informações bancárias dos investigados e identificou transferências financeiras das empresas para três servidores públicos da Prefeitura de Laranjal e familiares deles.

Entre os servidores estão o assessor jurídico responsável pela emissão de pareceres em licitações, o servidor responsável pelos processos licitatórios do município e um secretário municipal.

Os parceiros desses servidores também receberam valores em suas contas bancárias e foram incluídos entre os alvos da terceira fase da operação.

Investigação teve duas fases anteriores

A primeira fase da Operação Cavalo de Troia ocorreu em abril deste ano, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Laranjal e Além Paraíba.

Em julho, a segunda fase teve um mandado de busca e apreensão cumprido em Além Paraíba.

As investigações continuam. Caso os indícios sejam confirmados, os envolvidos poderão ser denunciados por crimes como fraude a licitações, associação criminosa e lavagem de capitais.

Informações: MPMG