domingo, 28 de junho de 2026
Urgente

Consultoria da UFV analisa desafios enfrentados por instituições filantrópicas para idosos em Minas Gerais

Consultoria da UFV analisa desafios enfrentados por instituições filantrópicas para idosos em Minas Gerais

A UFV realizou uma consultoria para identificar os desafios enfrentados pelas Instituições Filantrópicas de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), conhecidas como asilos, diante da pandemia da Covid-19. A análise, que indicou como um dos resultados a urgência de uma agenda pública para as ILPIs mineiras, integra as ações do acordo de cooperação interinstitucional, firmado com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese).

Foram avaliadas 108 instituições, a partir de amostragem estratificada por região, de um total de 406. A consultoria contou com o apoio dos pesquisadores do Grupo de Pesquisas em Espaços Deliberativos e Governança Pública (Gegop), do Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (IPPDS), e do Grupo de Estudos sobre Envelhecimento, Nutrição e Saúde (Greens).

De acordo com as professoras Simone Martins e Andréia Queiroz Ribeiro, dos departamentos de Administração e Contabilidade (DAD) e Nutrição e Saúde (DNS), respectivamente, e com o coordenador Estadual de Políticas para Pessoa Idosa da Sedese/MG, Rodrigo Marques, líderes da consultoria, o risco de proliferação da Covid-19 se mostra eminente nas ILPIs.

Eles apontam que essas instituições representam um ponto frágil na sociedade e propício à proliferação da nova doença, por abrigarem as pessoas mais suscetíveis aos sintomas mais graves à contaminação pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), que são os idosos. O risco se agrava ainda mais porque nas ILPIs avaliadas foi possível verificar a ausência do estado, evidenciado pela falta de acompanhamento, orientações às instituições para enfrentamento da pandemia e falta de repasse de materiais de proteção, higiene e limpeza e de recursos financeiros.

Com isso, as ILPIs encontram dificuldades para adotar e para custear medidas protetivas essenciais, de forma a atender as recomendações das autoridades sanitárias nacionais e internacionais, em especial as da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Desde que iniciada a situação de pandemia, as ILPIs filantrópicas tiveram a sua rotina alterada, principalmente no que se refere à suspensão das visitas, modificações na alimentação, suspensão de atividades físicas e de entretenimento para os idosos, intensificação da rotina de cuidados, entre outras. Dentre os resultados da consultoria, foi observado também o agravamento da situação de solidão para os idosos residentes, uma queda brusca das doações e mudanças no clima organizacional onde se instituiu o medo. Somado a isso, o aumento de gastos com alimentação e materiais para limpeza, higienização e segurança dos idosos residentes, dos cuidadores e funcionários tem fragilizado ainda mais estas organizações.

Como indicam os pesquisadores, a pandemia da Covid-19 impôs um novo cenário para estas organizações, que estão tendo que se adaptar a uma nova lógica de funcionamento e lidar com os antigos e novos desafios. Por isso, essas instituições necessitam de apoio urgente para cuidar dos residentes, manter a sua saúde física e mental, proteger os cuidadores e demais funcionários, adotar as medidas de proteção recomendadas e propiciar qualidade de vida aos idosos nesse momento crítico.

Para Simone Martins, “estamos diante de uma bomba relógio, mas parece que ainda há tempo para evitar que o pior aconteça nestas instituições”, tendo em vista que até o momento de realização do levantamento de dados para a consultoria, nenhum caso de Covid-19 havia sido registrado nas mesmas. “Embora tenham pouca visibilidade e pouco espaço nas agendas públicas, essas instituições oferecem um importante serviço a sociedade brasileira. Portanto, precisamos enxergá-las para que não se acione essa bomba”, destaca a professora do DAD.